sábado, 14 de julho de 2012

Disney-Pixar Valente: essa princesa aqui tem mãe!

*CONTÉM SPOILERS*

De um lado, temos o estúdio de animações Pixar e seu histórico: nenhuma protagonista do sexo feminino. De outro, temos a Disney: nenhuma princesa que tenha, de fato, uma mãe. Uma mãe com presença, que realmente se relacione com a filha. A boa notícia? A Disney-Pixar lança seu mais novo filme, Valente, que conta com uma personagem principal feminina, cuja história é praticamente toda centrada na relação mãe e filha. Foi emoção demais para o meu coraçãozinho feminista. 

Eu gostaria muito de escrever um texto sem spoilers, mesmo porque este não tem a menor pretensão de ser uma resenha (e porque eu sou péssima nisso, beijos). Porém, findado o processo de escrita, eu percebi que botei a história mais a perder do que o esperado. Peço sinceras desculpas. Creio que ultrapassei limites por conta do encantamento gerado por essa bela animação. O motivo do fascínio passa, obviamente, pelo fato de eu tê-la achado feminista.

A princípio, vou tentar focar na parte simbólica do filme: achei acertada a escolha do urso para firmar o enredo. Eu acho que o urso fornece um escopo muito forte para ilustrar o grau de profundidade de uma relação mãe e filha.

Porque é justamente o urso, animal temido e ao mesmo tempo admirado ao ponto de virar brinquedo de pelúcia, que possui a simbologia da introspecção, do despertar de consciência. Em culturas como a indígena norte-americana, o urso é o símbolo da sabedoria. O urso é visto como aquele que sabe discernir se o ato de continuar a insistir em algo vale ou não a pena. E, tomada a decisão, o urso não pestaneja em mudar, seguir adiante.

Como fiquei satisfeita de ver a simbologia do urso aparecendo na animação, fui ler mais a respeito e acabei encontrando um pouquinho acerca do urso na simbologia céltica: trata-se de animal cujos poderes são igualitários entre macho e fêmea. A mitologia celta conta com duas deusas que se transmutaram em urso, a Andarta e a Artio. O urso-macho é associado ao Rei Arthur. Além do mais, o urso aparece, na tradição celta, como o arquétipo materno: mãe por excelência, a figura do urso estaria diretamente vinculada à maternidade e proteção de crianças. 

É justamente essa bela simbologia, de um animal que cuida, protege suas crias, ao mesmo tempo em que não hesita em ponderar suas crenças e portanto mudar, que aparece na tela de Valente. Aliado a paisagens belíssimas, muito bem arquitetadas graficamente, o filme conseguiu me prender do início ao fim. Eu li algumas resenhas bem negativas, dizendo que a animação tinha tudo pra ser uma grande aventura e não foi. O problema é que esses críticos não conseguem enxergar que os desenhos animados (pelo menos os mainstream) nunca se aventuraram a aprofundar o assunto <relação mãe e filha>. Isso pra mim foi A aventura. 

Mas os críticos ainda estão muito preocupados em ver ações de acordo com aquilo que o olhar “masculino” deles considera uma aventura. Desconfio que tais críticos, cujos links não acho dignos de compartilhar com vocês, esperavam que a “valentia” da Merida (o nome da protagonista é Merida, eu falei que não sei escrever resenha, certo?) se fizesse ao decepar monstros ou derramar muito sangue. Só que não. A Merida é valente justamente por defender a mãe. Com o bônus de não precisar de nenhum príncipe encantado para ajudá-la. Aliás, a ausência de um príncipe encantado salvador é também digna de nota, já que a Disney é conhecida por reforçar o mito de que mulheres não sabem se virar sozinhas, colaborando, assim, com a manutenção do patriarcado nosso de cada dia. 

E o ápice da valentia se dá numa das cenas mais fortes do filme. Aquela cena em que me foi impossível não chorar. A cena em que, simbolicamente, ocorre uma violência doméstica. A cena em que ficou claro pra mim que a Disney finalmente entendeu que não precisa matar a mãe da princesa pra fazer uma história tocante, que valha a pena. Trata-se do momento em que a Merida se coloca entre o pai e a mãe e, muito corajosamente, desafia o pai e o impede de matar a própria esposa. Achei a metáfora perfeita, tanto para ilustrar a real de uma violência contra a mulher (ilustrar é diferente de justificar, pfvr), como para mostrar que somente após a morte de mães como a da Branca de Neve,  da Cinderella, da Ariel, da Bela, da Pocahontas, além do fato de Rapunzel e Bela Adormecida terem retornado à convivência materna somente após os 16 anos, que a Disney admitiu que, oh céus, dá pra retratar mãe e filha juntas, vencendo obstáculos, aprendendo uma com a outra, sendo amigas! Lavei minh’alma.

Preciso abrir dois parênteses. Primeiro, pra falar que sim, eu entendo que muitas das obras mencionadas acima são adaptações de contos de fada que já existiam. Aliás, tem um texto ótimo que eu gostaria de linkar aqui, além desse outro texto, um guestpost publicado pela Lola, que fala sobre a evolução das princesas Disney. Por outro lado, se formos analisar os desenhos Disney como um todo, e não só aqueles baseados em contos de fada, veremos que a maioria absoluta retrata crianças/adolescentes sem mãe. O segundo parêntese é pra dizer que esse fato talvez corrobore o que uma amiga me disse outro dia: talvez a Disney nem tenha nada contra a figura materna em si, mas apenas queira demonstrar que a vida sem uma mãe se torna, literalmente, um inferno. O que acabaria por cimentar em nós a noção de que homens não são bons cuidadores. E que madrastas são todas carrascas. O que é igualmente problemático, a meu ver. 



Pra terminar, não posso deixar de mencionar o cabelo da Valente. Fez justiça a todas as meninas crespas. Saber que as garotas de hoje terão um arquétipo com um cabelo natural, não-domado, é muito gratificante pra mim. Eu sei que sou Pollyanna demais, mas entendam: eu não me recordo de UMA princesa ou boneca que tivesse um cabelo não-domado. Até a Tiana, que eu me lembre, teve seu cabelo penteado “certinho”. Lembremos que Valente conta com a assinatura da Pixar, o que faz muita diferença em termos de qualidade gráfica. Portanto, celebremos a cabeleira natural da Merida, com seus cachos heterogêneos que, mesmo molhados, dão a impressão de algo real, não-fabricado. Em tempos de plastificação de corpos, cabelos e mentes, isso já é um grande avanço. 

44 comentários:

  1. Já pretendia ver com meu filho, agora mais ainda depois de ler seu texto. Valeu!

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    1. Coisa boa, Dani! Eu estou louca para ver o filme novamente, é muito bom mesmo :)

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  2. Quero muito ver o filme, só queria levantar a questão de como na maioria dos filmes de contos de fadas, não há personagens não brancos, vão querer justificar dizendo que não havia pessoas de cor na Europa medieval, e cobrar acuidade histórica, mas não cola

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    1. Vc tem razão, Diana. Eu também acho que não cola, especialmente pq essas histórias nem sempre são tão realistas assim, historicamente falando.

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    2. sim sim, do tipo, representar pessoas de cor na idade média não é historicamente plausível, mas camaleões (enrolados, da rapunzel) na alemanha medieval, pode

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    3. Pois é. O urso negro só existe na América do Norte mas né, tá lá firme e forte com a Valente, na Escócia.

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  3. eu ainda não assisti, mas vi o trailer e adorei. lembrei dessa história da ruth rocha, que influenciou bastante a minha vida: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historias_09.htm

    adorei o blog, a @vidadeleticia me mostrou esse post hoje e eu estou lendo todas as postagens. parabéns, meninas :-)

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    1. Adorei o conto, Clara, esse da Ruth eu não conhecia! E é uma honra tê-la aqui, obrigada, obrigada mesmo pela visita :)

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  4. Achei o blog por acaso e adorei! Quero dar meus parabéns até pela ideia do nome, uma ótima escolha.

    Estou esperando desde o começo do ano por esse filme, até escrevi sobre essa assunto também. Nunca tinha pensado sobre a falta da presença materna nos filmes da Disney. Ah, mas no filme A Princesa e o Sapo, a Tiana tem um bom relacionamento com a mãe. :)

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    1. Oi Sil, obrigada pela visita! Sim, tem o exemplo da Tiana, mas não foi algo que tenha feito A diferença, sabe? A Valente parece que corrigiu essa 'falha' da Disney ;)

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  5. Show, tenho duas meninas e estou louca pra ver!!

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  6. Olá, gostei muito desse post sobre o filme, estou pensando em ir com um grupinho de amigos.

    Eu ando vendo vários blogs feministas falando das princesas disney e tal, e me questiono se elas ainda são tão relevantes que devam ser discutidas e mencionadas sempre, quero dizer, outras personagens femininas há tantas hoje em dia, tantas opções diferentes, por que se limitar a discutir só essas?

    Gostaria de ver mais discussões sobre Laura, de "A estrela de Laura", Chyoko, de "Atriz milenar", Chihiro, de "A viagem de Chihiro", Mima, de "Perfect Blue", Makoto, de "A garota que podia saltar no tempo", para falar só de algumas, disney é muito boa, mas não é a única opção.

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    1. Olha Aninha, eu as acho MUITO relevantes. Elas são mainstream. São elas que estampam cadernos, mochilas, bolsinhas para lápis e demais materiais escolares, além de livros para colorir, vestimentas, temas de festas infantis, brinquedos diversos. É possível encontrar absolutamente tudo relacionado ao universo infantil "feminino" com os mesmos temas. E tais temas são, via de regra... princesas da Disney. Acho inegável a relevância delas e, se estamos "limitadas" (o que não concordo), certamente há uma razão. Concordo que podemos variar a discussão, mas falar que a Disney não é a única opção sendo que é praticamente a única que tem um alcance massivo em nossa sociedade, ah, isso eu não concordo não. A Disney pode até não ser a única, mas em termos de divulgação e afirmação de estereótipos na memória coletiva, podemos sim considerar que ela ainda reina absoluta.

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    2. Como mãe de uma menina, eu peço: Por favor, falem das princesas Disney! Sei que, não importa o quanto o "alternativo" entre na minha casa, são delas que vão falar na escolinha da minha filha, são elas que as meninas vão querer a roupa igual, vão dizer "eu sou a pricesa x", portanto elas vão sim influenciar a vida da minha filha, e muito.

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  7. Nossa, é a primeira vez que tenho contato com este blog, peguei o link no site do mamíferas, lendo uma postagem sobre Valente... Nossa de novo!!! Que texto perfeito vc escreveu Flávia, PERFEITOOOOO!!!!! Eu já estava super ansiosa pra assistir o filme, fiquei mais ansiosa depois da postagem no mamímeras, agora que eu li a sua postagem, MEU DEUS!!!! Se eu pudesse ia agora!!! Detalhe para o cabelo indomável de Merida, adorei o que vc escreveu, em casa tb temos cabelos indomáveis, eu e minha pequena Bárbara de 5 anos!!!! AMEI, SIMPLES ASSIM!!!!

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    1. Obrigada, Michele, também tenho um cabelão indomável, com muito orgulho ^^

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  8. Ao estudar a jornada do herói na faculdade, essa questão da falta de mãe e pai, sobretudo nas histórias infantis, apareceu. Uma justificativa fez muito sentido. Em histórias infantis é preciso se livrar dos pais, seja porque eles morreram, porque estão viajando ou porque os heróis forma parar em outra dimensão, num mundo mágico. Pois, imagina sei lá, Harry Potter com a mãe do lado. Ela ia ficar o tempo todo falando: Desce dessa vassoura, menino! Vai cair daí.. Ou então colocaria ele de castigo por desobedecer as regras da escola, enfim... os pais são um fator que impede o herói de participar da aventura, justamente por conta do risco que ela traz, mas como nenhum herói consegue nada sozinho, sempre há a figura de um mentor. Um Merlin, no casso do Potter temos a imagem de Dumbledore, Sirius, os professores de Hogwarts, entre outros tantos, que representam a sabedoria dos mais velhos sem o fator da proteção materna ou paterna.

    Mas acho muito legal que a história de Valente fuja dessa fórmula. Afinal a relação entre mãe e filha também é universal. Fiquei com mais vontade de assistir.

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    1. Assista mesmo, acho que você vai gostar!

      E faz todo sentido essa justificativa que surgiu na sua faculdade. Inclusive eu não nego que seja mesmo necessário que as heroínas e os heróis sejam retratados sozinhxs, sem pai nem mãe, mas o que me assusta mesmo é essa recorrência da ausência da figura da mãe nos filmes Disney.

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  9. Ótimas colocações, ainda não assisti o filme, então por hora me limito a dizer que essas mudanças se devem a nós mulheres que temos nos colocado de maneira diferente diante do que vemos e ouvimos, nosso comportamento, de não mais querer casar com um príncipe bem sucedido, mas de reinarmos graças ao nosso Próprio sucesso, sucesso que pode significar muito mais do que um castelo!!!
    Ontem fui comprar um carrinho de controle remoto que minha sobrinha pediu, e fiquei super feliz de ver quantos carrinhos são fabricados para meninas hoje, carrinhos não são mais coisa de meninos!!! Com isso quero dizer que o mérito para determinadas mudanças são das mulheres que deixam de aceitar alguns modelos de comportamento.
    Afinal, a vida imita a arte ou a arte emita a vida?
    Os estúdios são famosos por darem ao público co que o público quer ver!!!

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    1. Sim, Rosani, mas às vezes há um descompasso entre o que o público quer e o que os aparelhos midiáticos "acham" que o público quer. Vide propaganda de lingerie da Hope com a Gisele Bundchen. Ainda insiste-se muito na idéia de princesa passiva, mas é óbvio que mudanças vêm acontecendo e a gente precisa, também, celebrar isso. E eu não sei, mas acho que ainda vai um tanto até que bonecas sejam algo legal e aceitável para meninos, e isso é problemático também, entende?

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  10. Oh, desculpem se meu tom foi ofensivo, eu realmente não tinha intenção, quando disse "limitar-se" não quis dizer que o nível das discussões está limitado, e nem quis falar num nível pessoal, mesmo porque eu mesma gosto de falar sobre as personagens disney. Eu só quis mencionar no sentido de variedade das discussões.

    Realmente vocês estão certas que elas ainda têm relevância sendo que são presentes no universo infantil, mas acho que falar apenas delas alimenta essa relevância extrema.

    Eu também quero sugerir personagens e filmes que acho que valem a pena vocês mostrarem a seus filhos e filhas, e sobre os quais eu acharia muito interessante discutir.

    Aqui > http://myfirstblog5.wordpress.com/2012/05/14/list-of-animated-movies/ < há uma lista com filmes separados por gênero, espero que goste de alguns deles e faça posts sobre eles tão interessantes quanto esse de Valente.

    Detalhe: observe a tapeçaria, li que simboliza o quanto Eleanor se sente isolada, já que todos estão num canto e ela, no outro.

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    1. Não foi ofensivo não, Aninha, eu que achei por bem rebater o "limitar-se" :D

      E muito obrigada tanto pelo link como pela sugestão da tapeçaria, realmente há toda uma simbologia aí hein? Até mesmo pra reforçar a idéia de que filhas são mais ligadas a pais do que mães (o que eu acho errônea mas parece que o patriarcado faz questão de reforçar isso). Enfim, vou pensar um monte nesse símbolo da tapeçaria ainda.

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  11. Flávia, entendo perfeitamente sua colocação, mas o que quis destacar foi exatamente a mudança na postura enquanto espectadores, percebo que aos poucos começamos entender que não necessitamos aceitar os modelos propostos e adotá-los, afinal enquanto consumidores e espectadores somos maioria, então porque a mídia tem que impor e nós aceitarmos em vez do inverso? Infelizmente a maioria das propagandas machistas só têm sucesso graças ao impacto positivo que refletem no mercado. A aceitação do público ainda é uma grande arma. Por diversos anos o modelo "príncipe ideal que salva a princesa indefesa" rendeu muito aos grandes estúdios, assim como a bonequinha e panelinha, já foi o presente "ideal" para as meninas, mas quando isso muda , o mercado é obrigado a se adequar.
    Agora concordo plenamente, ainda demora para que os meninos queiram uma boneca pra brincar, mas isso não desmerece as nossas conquistas e nem significa que não existe um grande caminho a se percorrer pela frente!!!
    Gostaria de aproveitar e parabenizar este espaço para discussões tão necessárias!!!

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    1. A gente que agradece a sua presença! E sim, concordo plenamente que precisamos sim celebrar as mudanças e tentar mudar mais, é por isso que estamos aqui! E é realmente muito importante essa tomada de consciência da nossa parte, precisamos mesmo ir questionando os modelos propostos e acho que nesse aspecto há sim um avanço, ainda que lento e que apresente retrocessos, tipo as propagandas da Bundchen. Mas vamos seguindo em frente, né?

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  12. "Até mesmo pra reforçar a idéia de que filhas são mais ligadas a pais do que mães..."

    Em Valente será que não reverteram isso? Afinal Eleanor foi quem costurou, o que mostra que essa distância é para ela uma fonte de angústia, mesmo que subconscientemente, então não foi apresentado como "normal" que a participação da mãe seja pouca ou nenhuma. Gostei demais do amor entre elas não ter sido tão condicional como em outros filmes, em se tratando de filmes de pais e filhos, parece que o filho sempre quer a aprovação do pai e a estória é sobre como faz algo impressionante para conseguí-la. Me parece super triste que o pai diga que está orgulhoso do filho só depois que ele vira um herói e isso é para ser final feliz.

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    1. Bom, pra mim foi apresentado como "normal" até mesmo porque a Elinor, antes da transformação, achava que tudo que ela fazia com a filha em nome de uma suposta tradição era "normal". Enfim, o filme visivelmente quebra isso no desenrolar da história, tanto que, pra mim, a tapeçaria mais importante é a apresentada no final, em que Elinor aparece como ursa segurando as mãos da Merida.

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  13. Olá Flavia, tudo bom? Conheci o Ativismo de Sofá hoje, excelente blog.

    Eu e meu namorado assistimos Valente juntos e ambos adoramos o filme. Claro que meu coração feminista explodiu em cada cena do filme.

    Meu namorado é mais fascinado com o estúdio Pixar, então a leitura dele sobre o filme foi mais neste sentido. Digamos que ele saiu do cinema dizendo que a Pixar cedeu ao estilo Disney (por causa das músicas, por ser princesa...), algo que eu discordo veementemente pelas razões que você mesma descreveu no seu texto. Nem Mulan conta com cenas tão sutilmente feministas como Valente. Eu conheço muito bem todos os filmes da Disney de princesas e posso afirmar com muita segurança que Valente não está seguindo nenhum padrão.

    Depois de ter assistido ao filme, fui ler a crítica no site Omelete, referência em cinema. A crítica é interessante até certo ponto, porém ela "esfria" o filme. Acho que nem todo crítico é capaz de perceber tamanha importância deste filme para o estilo Princesa porque as melhores coisas passam batido, desinteressantes.

    Então resolvi vir aqui comentar para falar sobre dois pontos.

    a) Mostrei o seu texto pro meu namorado e ele gostou, só achou forçada a parte da violência doméstica. Ele não acredita que tal cena é uma metáfora para este tipo de violência contra a mulher. Na minha opinião, os produtores poderiam colocar QUALQUER cena de luta com a mamãe-ursa, mas eles escolheram colocar justamente o pai, dentro de casa, levantando seu braço contra sua esposa, e a (valente) filha se impondo contra isso. Vemos outras cenas de luta com a mamãe-ursa, mas somente esta usa o pai, a filha e a mãe, sozinhos, em casa. As outras acontecem fora do castelo, com outros personagens, em outros contextos. De qualquer forma, não fui capaz de convencê-lo. Ele ainda acha essa leitura forçada.

    b) O arco-e-flecha. Notei que você não falou disso especificamente no seu texto, na forma como ele é usado durante o filme. Lendo as críticas por aí, notei que tem muita gente que adorou o filme pelos motivos certos mas a grande maioria (pra não dizer todos) ficaram insatisfeitos com o fato da Merida não ter usado o arco-e-flecha mais vezes. Acharam ruim inclusive o fato da mãe ter lutado no final e não ter sido as flechas dela a matar o ursão malvado. Pois eu acho que o arco-e-flecha tiveram sua devida importância explorada. Ele serviu para que Merida lutasse por sua autonomia e atirasse suas flechas em defesa de sua própria mão. Ela treinou o uso durante toda sua vida, tornando-se mestra da pontaria e isso fez os espectadores acreditarem que ela usaria a arma para abater o inimigo final. Pois bem, o principal inimigo de Merida foi sua prisão na vida de princesa e sua valentia foi negar isso. Ela usou o arco-e-flecha em nome de sua liberdade, o que desencadeou todos os eventos seguintes.

    É isso!

    Abraços e sucesso :)

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    1. Obrigada pelo comentário! Meu marido também não viu violência doméstica. Acho que é mais difícil para homens visualizarem certos símbolos, o véu do privilégio não deixa. Vi recentemente o filme em português, fiquei um pouco decepcionada com a tradução. Ela é bem mais dura e enfática com o pai, nas duas situações em que o confronta, em inglês. Não sei se vcs viram em inglês ou português, mas foi essa a impressão que tive. Inclusiva, na cena mais perto do fim, em que todos confrontam a Elinor-ursa nas pedras, a Merida fala "I won't let you kill my mother" e em português só saiu algo como "Essa é minha mãe", e eu achei uma pena. Mesma coisa na situação do quarto, vi a tradução e fiquei Oi Q? Mas não me lembro exatamente quais eram as palavras que ela usou em inglês, só sei que foi muito mais forte pra mim :)

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  14. Só um adendo: depois de ver o filme, tinha prometido para a minha filha que, se encontrássemos a boneca, eu daria uma Merida para ela. E, sim, achamos a boneca assim que saímos do cinema (essa gente não perde dinheiro), só que a boneca em questão vem com o cabelo 'arrumadinho' e, inclusive, com um PENTE na caixa! Xinguei muito o fabricante sem noção...

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    1. Eu tb vi duas bonecas, uma maior e uma menor, estilo Barbie. A estilo Barbie tinha o cabelo arrumadinho, a maior (e mais cara) tinha um cabelão um pouco mais parecido com o da Merida. Acho que vai ser difícil uma fábrica de brinquedos reproduzir com exatidão a perfeição gráfica da Pixar. Mas que é sem-noção demais colocar um pente, ah, isso não há dúvidas.

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  15. Carolina, há dois tipos de boneca Merida, uma foi feita pela mattel e deve ser esta que você viu, a da disney store é mais parecida com a personagem e vem com o arco e a flecha.

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  16. Não li o post, favoritei pra ler depois - ainda não vi o filme - li apenas as primeiras linhas e me surpreendi. Explico, eu cuido de um perfil no tuiter e uma página no facebook de um evento e li muitos tuites e comentários falando que o filme era o primeiro filme ruim da Pixar. Fiquei surpresa e deixei pra lá. Agora voltei e reli alguns desses tuites (sim me dei ao trabalho, lembrava de alguns usuários que haviam comentado) e finalmente entendi, todos os que tuitaram não terem gostado e que acharam o filme menor, eram homens (dããããã pra mim por não reparar antes). Agora entendi! Vou ver com urgência com minha filha!

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    1. Veja sim e volte aqui pra contar pra gente!

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  17. (I)
    Muuuito atrasada, mas vamos lá.

    FINALMENTE UMA CRÍTICA POSITIVA DE VALENTE.
    E gostei muito das informações sobre a simbologia do urso :D

    Eu sei que fui burra, mas caí em tentação e li alguns textos na internet antes de ver o filme. Fui pro cinema com a minha mãe bem desanimada por isso, mas depois de assistir, saí indignada com quem falou mal da história >:|

    É perfeita? Não, não é. Mas é um ótimo primeiro passo.

    Sou filha de mãe solteira e sinceramente, eu estou de saco cheio de ir pro cinema e passar o maior climão porque a história toda gira em torno da figura paterna. Podem me xingar de paranóica whatsoever, mas eu preciso desabafar.
    Sei que ninguém tem nada haver com isso, mas meu pai era uma pessoa horrível, e Valente é o primeiro filme que não me deixa desconfortável em momento nenhum; não me faz lembrar do rombo que ele deixou. Nada contra a figura paterna, mas puxa, nunca antes na história desse país eu tinha saído tão leve de um filme.
    Se a conta fosse 50%/50%, tudo bem. Mas a maioria esmagadora não trabalha a relação com a mãe - e mesmo os que tem mãe presente no roteiro não chegam aos pés de Valente. O foco nunca tinha sido esse. É difícil de explicar, e sei que não é um argumento plausível para crítica por ser muito pessoal, mas pra mim é muito importante. Esse foco na relação mãe-e-filha teve um impacto muito forte em mim, muito tangível. Mais do que perceber ou analisar, eu senti a diferença. Senti.
    Me sinto obrigada a dizer, pensando nas tantas outras que são como eu: esse filme me trouxe um alívio tremendo. Pela primeira vez saí do cinema sabendo que aquele entretenimento era meu E da minha mãe, nosso, sobre a nossa relação. Até hoje, tudo o que eu via precisava entortar pra fazer caber na minha realidade, ainda que me identificasse com o drama.
    Eu tinha, TINHA que dizer isso. Podem me chamar de egoísta, mas eu não me sentia representada por outras histórias onde a relação com a mãe não era tão importante. Eu estava, sim, esperando ávidamente por algo que falasse um pouquinho do que eu vivo.

    Pra mim, Valente dialoga muito com 'Como Treinar o Seu Dragão', da DreamWorks (maravilhoso, estupendo, recomendo muito, muito mesmo). O cenário, a coisa viking/celta, gente ruiva por todo o lado, rs... Em CTSD, Stoico, Chefe de Tribo Viking, tem altas expectativas para seu filho, Soluço; do mesmo jeito que a Rainha Elinor tem expectativas para Merida.
    A diferença gritante - Stoico quer um filho Guerreiro, Matador de Dragões; Elinor quer uma filha princesa, casada por convenção (Depois desigualdade entre gêneros é tudo invenção da cabeça de feminista doida...)
    Eu ficaria muito, muito feliz se a DW sentisse uma pressãozinha básica pra ter uma protagonista mulher. Eu gosto muito do jeito que eles zombam dos contos de fada em Shrek, e CTSD é uma obra prima, acho que podia sair coisa muito boa do estúdio.

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  18. (II)
    O filme tem cenas maravilhosas e muito emocionantes. Eu cito:
    - a competição de arqueiros: ato de rebeldia e independência sem igual, Merida atirando aquelas flechas pra mim foi ÉPICO
    - a briga de Elinor e Merida, o corte na tapeçaria e o arco no fogo: a tapeçaria me lembrou muito as fotos de família que mães tanto amam, cortá-la foi algo muito simbólico. Vi gente chamando Merida de mimada, mas eu discordo. Veja, “Eu prefiro morrer a ser como você” É um exagero, mas É a cara de uma adolescente. Já vi isso na vida real, e por coisas muito menores que um casamento.
    Aliás, acho bom ressaltar o peso do casamento. Dá pra ser pior que se sentir sozinha, desamparada, e forçada a tomar uma decisão que vai mudar sua vida drasticamente? Merida está DESESPERADA, e por motivos fortes. É um casamento, caramba. É mais que passar o final de semana sem vídeo game, é mais que um capricho, é uma razão muito forte pra se rebelar. Ela é princesa, querem pautar sua vida toda nisso, a mãe que é tecnicamente a pessoa mais próxima dela é justamente quem não a apóia. Ela é vítima de uma injustiça descarada e não tem pra onde correr. Acaba passando dos limites. Não é justificável, mas pra mim é plausível.
    A mãe, por outro lado, tem suas razões e está tão angustiada quanto a filha. Resultado: reaje com uma agressão igualmente violenta – joga o precioso arco no fogo.
    Merida cortou a relação entre ela e sua mãe; Elinor queimou a independência da filha. É uma batalha, elas machucam uma à outra de maneira feroz porque estão ambas desesperadas; é um cabo de guerra. Obviamente, em guerra ninguém ganha nada. Ambas saem sangrando, ambas são vítima e algoz ao mesmo tempo. Elinor entra em pânico logo depois de jogar o arco no fogo porque ela sabe, ela tem perfeita noção do quão tremendamente importante ele é para a filha e quão devastada Merida fica sem sua liberdade, que é sua marca maior. Merida se embrenha na mata chorando. É traumático.
    - o momento em que Merida fica trancada no quarto, assistindo um pelotão de homens saindo à caça de sua mãe: além de rebelde, Merida me parece uma otimista incorrigível. A verdade é que, não importa o quão ruim a situação pareça, ela continua crendo que tudo vai dar certo e que ‘não é tão grave assim’. Ela só reconhece o perigo quando é deixada no castelo. Só aí ela percebe que as coisas perderam o rumo, que o ‘acidente bobinho’ com a poção pode acabar custando a vida da mãe. Merida chora, lamenta, e pra mim é nesse momento que ela se arrepende verdadeiramente, é o momento da redenção.
    - a breve luta com o pai, já quando a mãe ursa está subjugada: Gostei de ver Merida lutando, literalmente, pra defender a mãe. Sei que a cena no castelo impressionou também, mas do lado de fora eu vi a força à serviço da proteção. Quantas vezes vimos homens lutando para salvar donzelas indefesas? Merida lutou, na base do muque, para proteger a mãe. Foi mais do que apaziguar, mais que se jogar na frente, foi ativo.
    - a luta entre a mãe ursa e o herdeiro amaldiçoado: Elinor tinha muitos defeitos, era cheia de não-me-toques, mas quando Merida estava em perigo, ela se transformou. Foi para o ringue, no final é isso que todas as mães acabam fazendo. Pra mim foi muito significativo ver a mamãe rainha da elegância rolando na grama com o maldito que tentou machucar sua filha. Eu não pude deixar de imaginar como seria a cena com seres humanos. Pra mim foi o momento mais épico da história. ‘Ninguém mexe com meus filhos!’ – e de repente o mundo desaparece, a coroa e todas as obrigações sociais se vão pelo ar, porque não há nada que uma mãe não faça pra salvar uma filha.

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  19. (III)
    Finalizando, e eu me desculpo sinceramente pelo comentário exagerado, Valente é um bom filme, com emoção e profundidade. Talvez não seja tão bem humorado quanto muitos queriam, mas tem cenas lindas, épicas, cheias de significado. Não é perfeito nem de perto mas é o pontapé inicial que precisávamos.

    Vi críticas à figura apática do pai, mas como vejo casais assim na vida real, tenho que dar o braço a torcer e dizer que aquele pai nada mais é que um retrato do que pode existir por aí.

    A parte que mais me decepcionou foi o discursinho de Merida ‘conquistem meu coração primeiro’ e blablabla. Tudo bem, quebramos a tradição, ela não vai ter que casar, yay. Mas eu ainda acho que a autonomia de Merida sobre seu destino devia ficar mais clara como um direito, e não apenas uma concessão.

    Por hoje é “só” isso, porque não me lembro de mais nada que queira comentar XD

    ps: Parabéns pelo blog, é muito bom :D

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    1. Nossa, obrigada, obrigada mesmo pelos seus comentários, Ana! Precisamos dar visibilidade a eles de algum jeito, quem sabe num post mais à frente? Porque eu fiquei emocionada lendo o seu relato e imaginando que várixs meninxs possuem uma história semelhante à sua e também se sentiram contempladas nesse filme. Não há nada melhor do que se ver representadx numa tela, livro, obra de arte e parece que finalmente as grandes produtoras estão percebendo isso!

      Obrigada também por indicar CTSD, eu PRECISO ver esse filme. Já perdi a chance diversas vezes mas agora não tem mais desculpa, estou colocando na fila do Netflix agora!

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  20. (I)
    Oi Flávia, obrigada por responder :D

    Puxa, um post, sério? Sinta-se à vontade, seria uma honra.

    Talvez eu deva acrescentar, não é que histórias com pais (XY) não me emocionem. Não é como se 'Procurando Nemo' não significasse nada pra mim, por exemplo.

    Ninguém acreditaria em como 'Pateta - O Filme' retrata, quase perfeitamente, mais da metade da minha adolescência - meldels, quantos diálogos entre Pateta e seu filho Max eu tive a chance de reproduzir na vida real!

    E CTSD, caramba, Soluço vai ser pra sempre um dos meus personagens favoritos - eu agora tenho o DVD! E eu comprei o livro, que é tipo, pra crianças de cinco anos! Kkkkk (a moça da livraria achou que era fofo, pelo menos).

    Soluço foge de maneira tão clara do que o pai sonha... Ele é tão diferente, um caso tão irremediavelmente perdido... É óbvio que ele me fez pensar em tudo o que minha mãe quer de mim às vezes e eu não conseguia dar.

    Mas sabe, Valente é diferente. O foco está pela primeira vez inegavelmente na relação mãe e filha, sem nenhum 'porém'.

    Tiana, de 'A Princesa e o Sapo' tinha uma mãe fantástica, mas ela aparecia pouco. E Ti seguia o sonho do pai - nem em um milhão de anos eu vou conseguir me relacionar, em nível algum, com aquela figura paterna adorável. Soa estranho, mas que é que eu vou fazer, é verdade.

    >> Claro, nada é perfeito. Eu penso agora nas crianças que não tem mãe. Nxs meninxs que por alguma razão nunca vão saber o que é uma briga entre mãe e filhx e como é a reconciliação depois. Eu sei que em muitxs o filme despertou o incômodo de saber que você perdeu alguma coisa; eu sei exatamente como isso é. Eu mesma tenho amigxs muito queridxs que passam pelo inverso do meu drama, com mães ausentes ou sem um pingo de caráter, etc.

    Não dá pra representar todo mundo ao mesmo tempo, alguém sempre é neglegenciado. Eu entendo isso.

    Mas só UM filme em vinte anos de existência é um pouco. Ou pelo menos eu acho.

    Sei lá, 'Smurfs' foi um verdadeiro parto. Não é culpa de quem fez o filme, não é intenção deles fazer ninguém se sentir mal, mas não é esse o ponto - o ponto é que passei por isso muitas, muitas vezes enquanto só uma vez estive do outro lado, sendo representada.

    'A Era do Gelo 4' foi outra bomba pra mim... Pai superprotetor sofrendo com a liberdade da filha é tema recorrente - e acho que merece toda a atenção, porque muitxs passam por isso. Merece aliás atenção dobrada, porque é um prato cheio pra análises feministas (filhOs, curiosamente, não despertam a mesma reação quando crescem, porque será?). Mas de novo não me incluiu. De novo eu fiquei no banco, esperando a minha vez.

    De cabeça só me lembro dos mais recentes, mas foram várias as vezes em que eu saí do cinema evitando comentar a história porque ela acabava esbarrando na lembrança do meu pai, que era um projeto de ser humano.

    CTSD merece uma ou duas cutucadas por questão de gênero na minha opinião, mas não vou falar pra não tirar a graça! Kkkk
    ASSISTA, VAIS APROVEITAR MUITO!
    Soluço tem um trunfo que Merida não tem - ele é um poço de sarcasmo que te cativa do início ao fim fazendo piada com a própria desgraça. E é, alguém devia lembrar os estúdios de que mulher também tem senso de humor, obrigada...

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  21. (II)
    Por último, eu esqueci de dizer - Elinor só reproduz com Merida o que fizeram com ela. Acho esse 'detalhe' muito, muito importante. Ilustra como as coisas passam de geração em geração.

    Elinor não virou rainha do nada, em algum ponto a obrigaram a casar exatamente como ela tenta obrigar Merida - quer dizer, ela também foi injustiçada. E acho que eles nos dão uma pista disso quando a rainha diz 'eu também me senti insegura quanto ao meu noivado' - fala aproveitada numa piada, com o pai rei soltando um 'hein?' logo em seguida. A diferença é que ela no fim cedeu, e mais que isso, se incorporou à cultura, passando a reproduzi-la.

    Elinor internalizou o sistema, como muitas mulheres fazem na vida real - quando cedem a pressões estéticas e passam a ser críticas ferrenhas de todo o resto da população feminina, pra citar um exemplo. Quantas gordas por aí não estão sempre se autoflagelando, chamando a si mesmas de baleias e repetindo piadinhas? Quantas negras não acabaram aprendendo que seu cabelo é feio e precisa ser modificado? Vamos pensar nisso também.

    Citei gordura e cabelo só porque foram as duas coisas que me vieram à cabeça. Acho que qualquer conceito pode ser internalizado, não apenas estéticos. No caso de Elinor, foi uma idéia comportamental, de que 'uma princesa deve sempre buscar a perfeição'. Veja que não há margem, não há debate sobre o que faz uma princesa feliz, só há obrigação em seguir o modus operandi que a sociedade quer acima de tudo. Elinor não é assim porque decidiu ou porque exerceu livre arbítrio, ela é assim porque acha que tem que ser e ponto.

    Acho que a maior prova do meu argumento é que as esperanças de qualquer um que queira viver de jeito diferente são podadas imediatamente – é o que acontece com Merida. Não há margem. Não há aceitação em lugar algum.

    Uma coisa é emagrecer porque você quer, outra é emagrecer porque você aprendeu que ser gordo é inaceitável.
    Uma coisa é ser delicada e obediente porque você é feliz assim, outra coisa é ser forçada a se comportar desse jeito pra agradar os outros.

    Vamos pensar nisso!

    ... eu sempre escrevo demais, não adianta! :P

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  22. Letícia Brilhante20 de agosto de 2012 18:36

    Agora só falta fazerem uma princesa gordinha para, finalmente, quebrarem o estereótipo imposto pela indústria da beleza! *-*~ Logicamente que teria que ser algo muito bem pensado, de forma que não estimule o sedentarismo ou a obesidade!

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  23. Oi Flávia, qual o seu sobrenome para eu citá-la em um texto que estou escrevendo?

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